Por que perícia afastou hipótese de curto-circuito ao apontar falha elétrica como possível causa de incêndio que destruiu escola em SP
Incêndio na Escola Prada: diferentes gerações de alunos lamentam destruição de prédio Apesar de apontar falha elétrica como possível causa do incêndio de grande...
Incêndio na Escola Prada: diferentes gerações de alunos lamentam destruição de prédio
Apesar de apontar falha elétrica como possível causa do incêndio de grandes proporções que destruiu a Escola Municipal Prada, em Limeira (SP), em maio deste ano, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) minimizou a hipótese de curto-circuito ou sobrecarga na rede de energia.
Por outro lado, o documento cita fenômenos associados a mau contato, conexões deficientes, emendas deterioradas, afrouxamento de terminais e falhas de isolamento como razões mais prováveis.
O laudo foi anexado ao inquérito aberto pela Polícia Civil que apura eventuais omissões que possam ter colaborado para o fogo.
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Ao levantar as hipóteses mais e menos prováveis, a perícia considerou que a unidade não estava em atividade regular no momento do incêndio. Por conta disso, com poucos equipamentos em funcionamento, a probabilidade de uma sobrecarga dos circuitos é menor.
Segundo o laudo, a hipótese de curto-circuito também deve ser analisada com cautela, já que em instalações com dispositivos de proteção, esse tipo de incidente tende a provocar a interrupção automática do circuito.
"Para que um curto-circuito isolado atuasse como elemento deflagrador do incêndio, seria necessária a transferência de energia suficiente para promover a ignição de materiais combustíveis presentes nas proximidades, antes da atuação dos sistemas de proteção ou da extinção do arco elétrico", cita.
Incêndio atinge Escola Prada, em Limeira (SP)
Wesley Almeida/EPTV
Hipóteses mais prováveis
Já ao abordar as hipóteses de mau contato, conexões deficientes, emendas deterioradas, afrouxamento de terminais e falhas de isolamento, o documento afirma que essas condições podem produzir aquecimento localizado por períodos prolongados, sem necessariamente ocasionar o imediato desligamento dos dispositivos de proteção.
"Tais mecanismos podem estar associados ao envelhecimento natural da instalação elétrica, incluindo o ressecamento e a deterioração de capas isolantes de condutores e demais materiais empregados no isolamento elétrico, à ausência ou insuficiência de manutenção, a intervenções realizadas ao longo do tempo ou à execução inadequada de determinados trechos da rede."
Apesar das suspeitas, o órgão ressaltou que, devido à destruição do local, não foi possível determinar de forma conclusiva o que deu início ao fogo.
Investigação
No documento, o IC cita que o incêndio possivelmente começou na região do entreforro do prédio histórico, espaço onde havia componentes da instalação elétrica e elementos estruturais de madeira, o que favoreceu a propagação do fogo.
A perícia, porém, não identificou vestígios que indicassem que o incêndio tivesse sido causado de propósito nem evidências de que as chamas começaram fora da edificação.
À EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado Luiz Guilherme Barbosa afirmou que aguarda documentações para concluir se os órgão municipais podiam ter adotado medidas para evitar o risco do incêndio.
"Precisamos analisar as medidas adotadas pelos órgãos municipais e pela administração da escola para saber se já havia conhecimento do risco. Até o momento não identificamos registros de falhas anteriores ou outros eventos que indicassem a probabilidade da falha elétrica, mas não recebemos ainda todos os documentos requisitados", destacou.
O g1 pediu um posicionamento à Prefeitura de Limeira, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Imagem aérea da Escola Prada em chamas na última sexta-feira (1º)
Wesley Almeida/EPTV
Espaço sem AVCB
A possibilidade de o incêndio ter começado na fiação elétrica já havia sido levantada à época pelos bombeiros. O edifício não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
🔎O AVCB é emitido pelo Corpo de Bombeiros e certifica que o imóvel possui condições adequadas de segurança. Isso inclui itens como extintores, sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndio, portas corta-fogo e outros itens.
Segundo a administração municipal, ao assumir a gestão em janeiro de 2025, foram identificadas "muitas escolas da rede municipal sem o AVCB e com problemas estruturais graves". Naquele momento, 56 escolas estavam irregulares.
Tombamento
A escola completa 80 anos em junho de 2027. O prédio, tombado como patrimônio histórico do município, já fez parte do conjunto Prada, onde funcionava uma das maiores fábrica de chapéus da América Latina.
A estimativa é que cerca de 30 mil alunos já passaram pela unidade desde o início das atividades.
"A gente começou a conversar com arquitetos, engenheiros, e vários deles dizem que é possível recuperar essas paredes e que é possível restaurar. Mas a gente só vai poder definir isso depois que a gente tiver um parecer da polícia científica e também nós vamos contratar um pessoal especializado para poder definir o que é possível reaproveitar ou não", contou o secretário de Educação, Antônio Montesano Neto, à época.
Bombeiro apagando as chamas durante incêndio na escola Prada na última sexta-feira (1º)
Wagner Morente/GCM de Limeira
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